Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – XXXVI

O TEMPO RUGE ...

– “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 11

- Crónica 3765 – 21.09.2026

cos3.jpg Hoje, pode encontrar-se em Portugal, mais de 300 monumentos dedicados aos que combateram no chamado Ultramar, Províncias Ultramarinas, por um país que estava condenado a ser de novo só europeu. Angola e mais quatro nações africanas de língua portuguesa, são hoje independentes, mas terei aqui de me focar só a Angola, a rainha do Império Luso

Os paquetes Niassa, Santa Maria, Vera Cruz, Pátria e Infante D. Henrique levaram sucessivos contingentes sendo recebidos euforicamente pela população branca em grandiosos desfiles ao longo na Avenida Marginal de Luanda com o nome de Diogo Cão que agora, tem o nome de Avenida 4 de Fevereiro… 

Na Angola de 1961, a situação é crítica; cidades, vilas e pequenos lugares do Norte são saqueadas pelos guerrilheiros chamados por “Turras”, diminutivo de terroristas. Estes Turras, à sua passagem, destruíam as estruturas das fazendas de café, que até então eram o principal abastecedor do mercado internacional.

diogo3.jpg Até 1974 saiam daí 330 mil toneladas por ano; hoje que são passados sessenta e dois anos, esta produção decresceu para números muito inferiores. Pode ler-se atualmente (ano de 2021) que a produção do café ainda contínua irrisória e longe de alcançar lugares cimeiros em África, em particular, e no mundo em geral, devido ao fraco investimento e falta de políticas concretas.

Não se dá a devida atenção aos produtores, e segundo especialistas em agronomia há um confrangedor abandono do governo do MPLA em esta tão necessária atividade. Em consequência do fraco investimento neste sector, tem sido variável e nivelada por baixo, comparativamente ao tempo colonial, período em que a Colónia, era o terceiro maior produtor mundial desse “bago vermelho”, o café.

Voltando àqueles tempos em que aquela era a minha terra – assim o pensava, o Ministro do Ultramar Adriano Moreira deslocava-se com frequência à Colónia adivinhando-se melhorias nesse então. E, podia ver-se no terreno as obras de expansão em diversas áreas e, de explorações diversificadas. Havia planos que eram concretizados em um curto espaço de tempo; estou a lembrar-me da Sela, por exemplo.  

ANGOLA10.jpg O Governador Silva Tavares é substituído pelo General Venâncio Deslandes que acumula o Comando-Chefe das Forças Armadas. Face aos acontecimentos na Baixa de Cassange, o Ministro Adriano Moreira põe fim à desumana política da cultura compulsiva do Algodão e sua venda obrigatória à “Cotonang”. O general Deslandes inicia a retomada do Norte de Angola em junho de 1961, pelo posto de Lucunga.

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Em novembro, Deslandes anuncia o apaziguamento do Norte, saldado por 121 baixas de militares oriundos do M´Puto. Em dezembro de 61, já se encontravam em Angola mais de 30 mil soldados magalas do M´Puto. Em 1966 já eram 60 mil e, em 1974 chegaram a mais de 65 mil. Diga-se que as guerrilhas do MPLA e FNLA eram quase inexistentes no ano de 1974, mas no M´Puto, urdia-se pela calada e, outras diligências singularizadas pelo Partido Comunista e suas células com mistura de vários traidores…

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Nota: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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