Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – XXXII

O TEMPO RUGE ...

“Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 7

- Crónica 3761 – 31.08.2026

cipaio001.jpg Sipaio - Soldado da gestão colonial de Província Ultramarina 

Naquela manifestação de Catete, a multidão é metralhada originando daí 30 mortos e 200 feridos. Conta-se que no seguinte dia se inicia o ataque a Icolo Bengo originando a destruição de várias aldeias. A prisão de Agostinho Neto motiva o MPLA, então aquartelado na Guiné-Conacry, a propor negociações a Portugal. Em resposta, 29 ativistas do Movimento são fuzilados (não confirmado) no pátio de uma prisão; simultaneamente, o general Monteiro Libório assina o “Primeiro Plano de Ação Psicológica do Comando Militar de Angola”.

Em dezembro de 1960, Mário Andrade, Viriato da Cruz e Américo Boavida, face ao fracasso negocial com Portugal, comunicam à Câmara dos Comuns de Londres,” passarem à ação direta”, supostamente em nome do MPLA e por via destas manobras internacionais, no mesmo mês de dezembro o Conselho de Segurança da ONU deixa de reconhecer as Provinciais Ultramarinas como sendo parte integrante de Portugal. 

Foi talvez a primeira pedra a ser lançada ao charco do processo descolonizador do “Império Luso”. Por via destas movimentações, o MPLA anuncia a sua primeira direção no exterior formada por Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz Hugo de Meneses, Lúcio Lara, Azevedo Júnior, Matias Miguéis, Eduardo Santos, Daniel Chipenda e França N´Dalu.

mud10.jpg No tempo da UPA

Eduardo Santos foi médio de futebol da equipa da Associação Académica de Coimbra que, não obstante ter passado para a “Revolta Ativa” conjuntamente com Daniel Chipenda e França N´Dalu assistiu como cardiologista Agostinho Neto até à sua morte. A figura de Agostinho Neto, jamais teve unanimidade dentro do movimento anticolonial. 

As fortes divergências que teve com Viriato da Cruz, em 1963, levaram Neto a torturá-lo e humilhá-lo diariamente numa prisão, somente saindo (quase morto), por intervenção de aliados externos da Argélia e China. Outra figura que questionou fortemente Neto, foi Matias Miguéis, sendo que este acabou morto após humilhantes torturas ordenadas por Neto, em 1965.

Matias Miguéis foi enterrado vivo somente com a cabeça para fora, onde lhe jogavam secreções ao mesmo tempo em que recebia golpes. Historiadores, como William Tonet, apontam que nem mesmo os portugueses cometeram tais atrocidades. Houve então graves conflitos internos no MPLA que puseram em causa a liderança de Agostinho Neto.

monstro6.jpg Os pioneiros (Inventação do MPLA no ano de 1975)

Entre estes, o mais grave consistiu no surgimento, no início dos anos 1970, de duas tendências opostas à direção do movimento, a "Revolta Ativa" constituída no essencial por elementos intelectuais, e a "Revolta do Leste" com Daniel Chipenda, formada pelas forças de guerrilha localizadas no Leste de Angola; estas divisões foram superadas num intrincado processo de discussão e negociação que terminou com a reafirmação da autoridade de Agostinho Neto.

Seguindo a cronologia dos acontecimentos, em janeiro de 1961, a capital angolana fervilha de jornalistas que aguardam a chegada do paquete “Santa Maria”, tomado de assalto por Henrique Galvão. Semanas depois, as atenções desviam-se para os três acontecimentos que marcaram o início da luta armada e, que conduziu à independência: A Revolta na Baixa de Cassanje de “4 a 11 de fevereiro e, “a 15 de março”. Impulsionados pela UPA, a Revolução na Baixa de Cassanje iniciou-se no posto do Milando da Circunscrição de Holo e Jinga, alastrando às circunscrições vizinha de Bondo e Bângala.

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Nota: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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