Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – XXIX

O TEMPO RUGE...

– “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 4

- Crónica 3758– 31.07.2026

mud6.jpg Não obstante isso, gerações do povo angolano vinham arrastando uma vida triste de miséria e ignorância, na perseguição com trabalho forçado com a inerente exploração de seu trabalho desagregando-lhes a família e morrendo prematuramente por escassez de meios e centros hospitalares ou farmacêuticos. 

Em um território rico e com três habitantes por quilómetro quadrado, a população indígena crescia a ritmo lento e com mortalidade elevada, principalmente infantil. O Capitão Henrique Galvão descreveria a situação nestes termos: “Em Angola, aberta e deliberadamente, o Estado atua como agente recrutador e distribuidor do trabalho a favor dos colonos, os quais, como se fosse natural, escrevem ao departamento dos negócios nativos a pedir fornecimento de operários. 

Esta palavra, «fornecimento», tanto é usada para coisas como para homens”. Num total de 4 362 000 habitantes em 1960, existiam apenas 56 mil assimilados e 179 mil brancos entre os quais eu, um mazombo Niassalês. Descrito por observadores de missões protestantes ou jornalistas estrangeiros, o sistema colonial português não podia merecer outra caracterização que não a de uma gigantesca máquina de exploração intensiva que pesava sobre quase toda a população africana.

pinto3.jpg Foi neste contexto que as ideias de “negritude” e independência começaram a ganhar popularidade e a estruturar-se desde os anos 30 do século XX, através de associações como o Grémio e a Liga Africana, a revista Mensagem e movimentos culturais como “Vamos descobrir Angola”, onde sucessivas gerações foram agrupando e desenvolvendo um sentimento anticolonial que amadureceria no pós- primeira guerra Mundial para, nos anos 50, resultar na formação de sucessivos grupos e organizações independentistas.

Acho que Deus, presumia que a concórdia e a misericórdia seriam um fator a esperar em Angola, mas assim, o não foi. Tantos que foram para Angola, tantos que se situaram, se amigaram, enamoraram ou umbigaram, julgando que deveriam reinar sobre a dissensão e razoável desentendimento, harmonizar o essencial, perdoar nos pequenos costumes; eliminá-los, seria supostamente o futuro plausível daquela terra. 

Puro engano em nosso advir; aglutinar-se-iam raças, honrar-se-ia desta feita pais, avós, tetravós e, um sem número de avôs, mas, nada disto assim o foi. Já estamos longe daquele tempo, ano de 1958 de quando a PIDE se instalou em Angola. Esta, mereceu do arcebispo de Luanda, D. Manuel Nunes Gabriel, o seguinte comentário: “A PIDE estendeu agora sua atividade a todo o país, agindo de maneira arbitrária e demasiado severa, tornando-se temida, mas não respeitada”; tomar em conta a menção de país, englobando o Portugal Ultramarino numa mesma plataforma territorial.

MUD2.jpg  Os cabeludos do PREC

Cada um, chamado à razão, responde afirmativamente ao que pensa ser o certo, em uma terra que sempre pensou ser também a sua, Angola e, sem ter a certeza de nada nem do futuro, recorrendo a N´Zambi (Essa de se dizer «se Deus quiser», tornou-se uma “treta denominada de falácia”). Na Lisboa do M´Puto, pouca importância se dá ao aparecimento da UPNA, União dos Povos do Norte de Angola.

E, daquele manifesto de Viriato da Cruz, o tempo, o congeminou como sendo o primeiro evento de valia e, paulatinamente o foram atribuindo como afeto ao MPLA. Com dados aleatórios no tempo aqui se descrevem situações que agora (ano de 2026) nem interessa saber se foram antes ou depois, assim ou assado. Aconteceram! Ainda no ano de 1958, no próprio dia em que concluiu o curso, Agostinho Neto casa com a portuguesa transmontana, Maria Eugénia.

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Nota: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange, …

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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