Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – XXVII

O TEMPO RUGE...

– “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 2

- Crónica 3756 – 27.07.2026

Sem inventar necessidades, recordo em 2026, meus fados antigos revolvendo-me em rever estórias de libertação duma terra que cadavez mais se envelhece em meus suspiros. Angola, da libertação à independência, irão dar umas quantas crónicas esgadanhadas em um baú já muito coçado de suores frios e, sem o bastante orgulho na alegria duma falsa glória.

A libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mas, cujas vicissitudes mostraram o quanto esta vida é tão cheia de ocultos rumos, ocultos interesses e que, cinquenta anos depois, continua ainda, na senda prepotente da «Vitória é certa». Assim, na procura de uma verdadeira liberdade, livre da canga dum governo ditatorial que tudo vai fazer para se manter no poder, exigiremos transparência e, sempre gritando: «Fora com o MPLA»

Revendo o Monstro Imortal, viria mais tarde a liderar juntamente com Bernardo Alves – “Nito”, José Van Dunen e o comandante Bakaloff, o golpe 27 de maio de 1977 na tentativa de derrubar Agostinho Neto do poder (assunto a ser recuperado mais à frente). No auge da guerra-fria, com o Zaire de Mobutu transformado em centro de estratégia norte-americano, não somente para a África subsariana, mas, de todo o continente. A ex-URSS e países do Leste redobram o seu apoio ao MPLA, apesar de Neto ter tentado apoios para a sua causa em países ocidentais.

Che Guevara encontra-se com Agostinho Neto em Brazzaville. Desse encontro resultou a ajuda militar cubana às FAPLA – Força Armadas Populares de Libertação de Angola do MPLA. Pouco depois, onze oficiais cubanos entram em Cabinda, em uma coluna comandada por Pedalé, Nicolau Spencer e Chipenda. Estes, são atacados pela tropa portuguesa junto a Buco-Zau, mas, eles e os cubanos escapam, permanecendo no enclave até final de 1966; de realçar aqui que nestas ocorrências, passaram a ser recordados pela sua indisciplina, dentro e fora do movimento...

Em março de 1966 no local de Mwangai, a UNITA realiza o seu primeiro Congresso. Em dezembro, os homens de Savimbi atacam Cassamba e, no dia de Natal, Vila Teixeira de Sousa, atual Luena. Ao início da atividade militar da UNITA, o MPLA, responde com a abertura da Frente Leste, tendo o primeiro combate contra as tropas portuguesas ocorrido em Luimbale no saliente de Cazombo. 

O primeiro comandante da Frente Leste foi Hoji Ia-Henda, sobrinho de Mendes de Carvalho e, viria a perder a vida em abril de 1968 no ataque a Caripande. Em setembro do mesmo ano, na mesma região e perto do rio Lueji, num ataque helitransportado pela tropa Tuga, morre o médico Américo Boavida, o “Kimbanda”, nome de guerra, palavra que no dialeto kimbundo significa médico.

chai0.jpg Holden, Neto, Savimbi

Em resposta o Exército português instala no Bié o Grupo de Cavalaria nº 1 (CCAV 1), chamados regularmente por “Dragões” e, que foi reforçado no ano de 1970 com o primeiro Esquadrão Operacional a cavalo. Quase em simultâneo o MPLA cria a Norte, a chamada 4ª Região Político-Militar na região das Lundas para reforçar a 1ª Região dos Dembos que se mantinha bastante isolada. 

No Leste, ocorreram todos os acontecimentos que originaram a cisão do MPLA, a qual perdurou até 1975. Daniel Chipenda, então comandante militar do MPLA, passa a liderar esta cisão, que originou a fragmentação do MPLA tornando-o pouco expressivo em sua ação de guerrilha… E assim, a estória contemporânea que levou Angola à independência, começa com a chegada a Portugal de António Agostinho Neto. É desta forma que os historiadores hodiernos nos forçam a acreditar! Em verdade, foi Portugal que inventou Agostinho Neto...

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Nota: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange, …

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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