Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – LVI

O TEMPO RUGE ... A OSGA ENGORDA

- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA – 31

- Crónica 3785 - 07.11.2026

guerri3.jpg  E, a Luua eclipsava-se! Agora vamos fazer o quê para o M´Puto? As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prolixo os acordos de Alvor, da Penina. O MPLA tendo como mentor Rosa Coutinho, depois de inventar o Agostinho Neto como presidente do país, na Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiram novos inventos: o quimbombo que já o era, o Kaporroto, e a vitória é certa. 

Eles que já tinham inventado o monstro Imortal, o Valódia e o Monacaxito… Também a “tarraxinha e a kizomba” – os maiores no kuduro Já não havia médicos em Luanda, eram escassos ou desativados. Os géneros de primeira necessidade faltavam. Os assaltos a armazéns eram constantes e as cadeias de abastecimento não funcionavam – Era a candonga a funcionar.

As filas nas padarias eram formadas a partir da uma da manhã com sapatos, tijolos e marcas indicadoras de tal e tal pessoa. Um troca-me isto por aquilo e as bolachas num repentemente desapareceram, tal como a farinha e compotas – faziam-se permutas de tudo o imaginário, uns roubados outros esticados daqui e dali formando um esquema nunca pensado. O bivalve chamado de “mabanga “que normalmente só era usado para isco na pesca, passou a ser iguaria com arroz; a fome era negra.

pombinho5.jpg  A máscara de Pombinho - Ex-aluno da E.I. Luanda 

Um aiuê; salve-nos Nossa Senhora da Muxima que os homens andam loucos, embalando corotos, fazendo caixotes, fazendo de carregadores, fazendo a estiva no porto de Luanda e candongando coisas e pedras chamadas de feijão branco como salvaguarda, um aí Jesus que isto, como vai ser e, davam voltas em si mesmo até tontear, para esmoer a fúria. As “NT - Nossas tropas” parece que tinham ordens para ajudar na desordem! 

A raiva subia-nos em vapores com cheiros inexplicáveis; era o medo de espantar, tal como tinha sido previsto pelo pai do terror chamado de Rosa Coutinho. E, quanto aos novos supostos dirigentes, tínhamos muitos receios. Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente para uns; também para mim – também o mais conotado com os militares portugueses no antes da Abrilada. 

O Agostinho Neto, fiel amigo do Rosa Coutinho que era um desclassificado poeta, foi o personagem escolhido para ser o chefe da nação. Os políticos da nova vaga vermelhusca do PREC não se cansavam de repetir isto e aquilo, tudo de mau sobre Jonas Savimbi e sua colaboração com os militares, antes do “vinticinco” de 74. Para o MPLA, seu líder daquele agora era Agostinho Neto, um medíocre aluno nascido no mato de Catete e formado pela Universitária de Coimbra do M´Puto

macuta com soba.jpg Era uma vez - A makuta de T´Chingange

O homem escolhido pelos generais e afins do MFA, afirmando posteriormente ter sido o menos mau. Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um rude e fraco personagem facilmente corrompível; dependia de Mobutu e dos americanos de uma forma sorrateira, mas sobejamente conhecida e, rastejante! Nos muitos dias insólitos daqueles tempos, na meditação atual, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem.

A UNITA também se retira de Luanda para o Huambo, antiga Nova Lisboa. O MPLA fica dono e senhor da capital, a Luua. A 9 de Julho, após três semanas de violentos combates, a FNLA é expulsa de Luanda, e Jonas Savimbi pede proteção ao Exército português ordenando aos seus apoiantes que deixem a capital - a LUUA. Foi neste então que recrudesceu o som do martelar: “tá, tá, tá" e, por toda a Luanda de noite e de dia a mente restolhava-se inibida de vontade, fazendo caixotes. Para mim, o porto de Luanda estava longe! Nada foi para o M´Puto, nem as fotos de casamento na Sagrada Família.

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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 

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