Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – LIV

O TEMPO RUGE ... A OSGA SUSSURRA

- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA – 29

- Crónica 3783 - 03.11.2026

fotografo1.jpg Convém relembrar as considerações formuladas pelos governantes, maioritariamente afetos ao MFA que naquele então, após o vinticinco formulavam: Para se ser reconhecido como retornado, devia-se também ter residido numa ex-colónia portuguesa, estar numa situação de carência e por fim, ter chegado à antiga metrópole depois do dia 1 de setembro de 1974.

Esta primeira definição foi complementada por uma resolução do 21 de outubro de 1975 estipulando absurdos que não se concretizaram. O M´Puto, era uma bagunça de governo tendo um chefe militar de nome Otelo Saraiva de Carvalho que depois de ter ido a Cuba aderiu ao “Poder Popular”. Este estratega do 25 de Abril, na altura, comandava o COPCON sendo Governador Militar de Lisboa.

Convém também relembrar que este, se empenhou naquela visita a Cuba, uma concretização, que foi aprovada pelo CR - Conselho de Revolução. A resposta a Fidel de Castro, solicitada pelo comandante do COPCON ao Presidente Gomes da Costa do M´Puto, foi afirmativa com a premissa de urgente.

kianda05.jpg  E, temos assim algo de curioso, pois que a hipocrisia deu nisto: Que se saiba, a resposta portuguesa nunca chegou a Havana. Costa Gomes afirmou (a pés justos) que não se lembrava de nada. A revista VISÂO revelava em primeira mão os pormenores de uma conversa que se manteve secreta durante 20 anos: aquela em que o dirigente cubano anunciou a Otelo Saraiva de Carvalho, em julho de 1975, o envio de tropas para Angola.

Segundo Luís Marinho da Revista VISÃO, a 19 de outubro de 1975, um ou dois dias depois da “Festa nacional de Cuba” (já não se recorda com exatidão do dia), Otelo foi convidado para um almoço privado com Fidel Castro e seu irmão, Raul. Num restaurante perto da estância turística de Varadero, chamado Los Canaviales, os três homens tiveram uma conversa que se manteria secreta.

O assunto era Angola. A menos de cinco meses da data prevista para a independência da ex-colónia portuguesa, ganhava força o conflito militar entre MPLA, FNLA e UNITA, sem que Portugal conseguisse um mínimo de controlo. Otelo revela esse episódio, que influenciou no rumo do conflito angolano.

spi3.jpg Recordando para que conste: A 27 de Julho de 1974, em Lisboa, Spínola reconheceu “o direito à independência dos territórios africanos”. Entretanto Joaquim Pinto de Andrade, fundador e presidente de honra do MPLA, adere à “Revolta Ativa”. O Congresso, que visava a união das três fações do MPLA, fracassa. 

A caminhar muito rápido para a Batalha de Luanda, em janeiro de 1975, dão-se três acontecimentos, a saber: Cimeira de Mombaça, Quénia, onde o MPLA, FNLA e UNITA acordam no reconhecimento mútuo; Acordos de Alvor que fixam a datam da independência para 11 de novembro do mesmo ano e tomada de posse do Governo de Transição quadripartidário (MPLA, UNITA, FNLA, MFA)

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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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