Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – LIII

O TEMPO RUGE ... A OSGA ENGORDA

- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA – 28

- Crónica 3782 - 02.11.2026

macuta 1.jpg Rosa Coutinho que substituiu o Governador Silvino Silvério Marques como Alto-Comissário é exonerado em janeiro de 1975. Assim foi: O “almirante vermelho” é exonerado sob pressão da UNITA e da FNLA, acusado de beneficiar o MPLA. Ora, acontece que neste meio tempo, Rosa Coutinho já tinha traçado toda a trajetória para o MPLA alcançar a vitória; foi ele o mestre das políticas que se seguiriam fornecendo àquele movimento todo o tipo de armas armazenadas nos paióis, mais logística e demais facilidades – uma clara “traição à pátria mãe”

O “Acordo de Alvor” já o era! Enquanto o controlo de Luanda se fazia ouvir pelo crepitar das armas, “desperdiçando” milhares de balas tracejantes para o ar com comunicados e boatos nas rádios ao serviço do MPLA, em Nova Iorque, o ex-agente da CIA Philipe Agee e o jornalista Steve Weisman, denunciam que a “Central” (que seria a USA) destinara 32 milhões de dólares “para apoiar o anticomunismo em Angola”. 

Na Ilha de Cuba, Otelo Saraiva de Carvalho pede a Fidel que prepare as tropas. No regresso a Lisboa, contou a conversa ao Presidente da República, o Marechal Costa Gomes (o rolha) pedindo-lhe que desse uma resposta urgente a reforçar seu pedido àquele líder cubano. Ora sucede que a ajuda de Cuba veio a acontecer muito antes do 11 de novembro.

araujo96.jpg Gravura de Costa Araújo (antigo aluno da E. I. Luanda)

Isso mesmo. Por uma via revolucionária a que chamaram de PREC – Processo de Revolução em Curso, Otelo Saraiva de Carvalho regressou de Cuba, mais entusiasmado com o sonho do Poder Popular. Otelo não escondia que Fidel Castro e Che Guevara eram dois dos seus ídolos, confessando que admirava muito a experiência daquela revolução cubana. A postura da Nação através do CR-Conselho de Revolução não o foi por isso, inocente. 

Entretanto o General Ferreira de Macedo, Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação caótica. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em pavorosos acontecimentos. Ninguém entendia o que se passava e quando o sabia, já aquilo que parecia ser, tinha alterado para coisa-outra. 

Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele próprio agora - um Já era! Para o vulgar cidadão, tudo se configurava para a fuga, fosse como fosse e sem se saber aonde e para onde; neste entretém de ordens e alterações a estas, começava assim a configurar-se na “Ponte LuaLix” como a solução mais viável.

araujo1.jpg  Ensaios gráficos de Costa Araújo

Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot prontamente se dispuseram a retirar este grande número de gente que até ali só atrapalhava as diretivas do MPLA. “branco, vai para a tua terra” era o que mais se poda ouvir… Só a 5 junho de 1975, se operou uma primeira definição legal do estatuto de retornado, para determinar quem poderia obter o apoio do Estado Português. Em primeiro lugar, devia ser cidadão português, segundo os requisitos da nova lei de nacionalidade de junho de 1975. 

Foi quando a PONTE- AÉREA começou a pairar na mente de todos, como sendo a solução plausível. A recente criação do Quadro Geral de Adidos na Metrópole - Lisboa, veio acelerar o processo de decisão entre a maioria dos funcionários de diferenciadas etnias. Quanto à brancura de pele era uma coisa, mas na prática do MPLA, quem pensava no ideal comunista, tornavam-se mais iguais que outros.  A seleção era crua na debandada! Para o MFA do M´Puto, escoar tão elevado número de gente (mais de setecentos mil) era tarefa bem mais difícil.

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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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