- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 27
- Crónica 3781 - 31.10.2026
A médica responsável pelo Laboratório deu à língua e, misteriosamente desapareceu. Algum tempo depois foi encontrado um cadáver feminino calcinado pela cal, possivelmente o seu. A lei, a ordem, a justiça teve um retrocesso ao tribalismo com todas as imaginadas nuances, tudo muito carregado de misticismo e crenças de quimbandas ou sobas analfabetos e sem o mínimo de preparação para gerir o que quer que fosse.
A médica chamava-se Maria Fernanda Matos de Sá Pereira. O caso que foi bem relatado nos meios de comunicação, ocorreu no final de junho de 1975. Esta médica que trabalhava no teatro anatómico da Maternidade de Luanda, recebeu as peças anatómicas e desmentiu publicamente o boato, esclarecendo que os órgãos em causa tinham sido roubados na própria maternidade aonde trabalhava.
Entretanto, Melo Antunes, Mário Soares e outros encarnados na vermelhidão, lá nos areópagos internacionais, não dissertavam conversas destas com Kissinger, mentindo-se … Não, porque para estes (os países donos do Mundo – USA e não só), tanto se lhe dava que fosse assim ou assado, logo que tivessem o controlo do ouro negro – o petróleo, já a sair pelo tubo ladrão da Golf Oil Americana.
Alguns de nós, manietados de todo, a tudo assistíamos martelando caixotes, rilhando o dente sem mais poder fazer, pois nossos magalas do M´Puto, gente afeta ao PREC do M´Puto (Processo de Revolução em Curso), ajudavam em Angola as hordas de pseudorrevolucionários a pilhar nossas casas. Foram vistos e filmados em pleno dia claro, nas avenidas Brasil e Combatentes de Luanda, a roubarem …
Aleatoriamente, os acontecimentos de Luanda, descrevem-se sem seguir uma agenda temporal, o que nos leva a viajarmos no espaço da narrativa com datas anteriores ou posteriores. Dito isto, em abril de 1975 Jomo Keniata organiza a Cimeira de Nakuru no Quénia, na qual a UNITA, MPLA e FNLA acordam na formação de um exército nacional único.
Camionista - o grande obreiro em Angola
Neste mesmo mês Savimbi chega a Luanda. Com o passar do tempo, tonou-se mais que evidente de que o MPLA estava a mentir a Keniata e ao Mundo, pois que na prática teve outro procedimento! Cerca de dois meses depois (junho de 75), o MPLA destrói um quartel da UNITA na capital., chacinando militares e civis ali bivacados.
Aquele episódio ficou conhecido por “MASSACRE DO PICA-PAU”, nome do bairro que albergou o quartel. Definitivamente o MPLA, pelas ordens de Rosa Coutinho, o cunhado de Agostinho Neto, não queria nenhum dos outros Movimentos intervenientes no “ACORDO DE ALVOR” em Luanda. Neste meio tempo de agulhas desconcertadas, o controlo de Luanda fazia-se ouvir no crepitar das armas, as noites decorriam com sons de rebentamentos, balas tracejantes a descrever curvas no céu de Luanda como se o fosse - “um fogo de artifício”
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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…
(Continua...)
O Soba T´Chingange