VIDAS QUEBRADAS – XLII
-“Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 17
- Crónica 3771 – 04.10.2026
Reunindo minhas fontes, reformulando falas antigas em visões novas, coço os avisos de que meus suores na forma de catinga, se esfriem nos nadas ou medos de em tantas coisas pensar do passado. Sendo assim e, com goles de muitos pensamentos engavelados, agarro o medo enraizado no gerúndio, porque na verdade esta vida está muito cheia de ocultos caminhos, também conhecidos por carreiros, veredas ou fiotes.
Pois, saí de Angola, mas ela nunca saiu de mim; um fado de vida que dura e perdura sem ser ressarcido em pleno da verdade que tanto nos perturbou na Guerra de Tundamunjila – a do vai embora daqui - "Tunda mu njila" (ou Thunda mu n'jilla) que é uma expressão em quimbundo (língua nacional de Angola) que significa "sai do caminho", "sai da estrada". E, aconteceu.
E, eles, os caminhos ficaram no tempo baralhados, porque se ultrapassaram em cinquenta anos e meses. De tudo o que falo sobre Angola, eu e ela, nós dois, eramos mesmo pertencentes! Agora com leis novas, o futuro foi tropeçando nelas, ditadas e formatadas pela nomenclatura vigente maioritariamente MPLA e assim, perdi meus requisitos ficando atazanado num frio feito como num cacimbo perene.
Pintura de Costa Araújo ( Meu mano Corvo) - Antigo aluno da E. I. luanda
Assim, e assado, a todo o tempo escuto tudo, seus cheiros de mato, de chuva em terra molhada com estalinho de estrelas no antes, durante e depois da kúkia (pôr do sol) descer no horizonte. Tenho andado a contar minha existência, igual à de tantos outros no aspeto lúcido, translucido e até desfocado, estilhaçando as falas de lado para não resvalar em falsas alegrias.
Pois assim me vou mexendo; virando-me para os pequenos prazeres, antes que me falte o raso da paciência com conversas compridas e até demasiado baralhadas nas tontices tão vulgarizadas em nada. Aqui no M´puto, ultimamente falo com a osga Xipamanine, creio, uma descendente daquela que vi no Xai-Xai, um lindo lugar de Moçambique e, que me persegue.
Gentil viana
Em Angola, decorria o ano de 1975 – Chipenda, então comandante militar do MPLA alia-se ao grupo de guerrilheiros descontentes que reclamam por “maus-tratos”, no episódio conhecido por “Revolta do Leste”. Já sob o comando de Chipenda, o grupo ataca, sem sucesso, a “Base Vicy “do MPLA, em Lusaca. Formam assim a “Revolta do Leste”, passando a combater contra a fação do MPLA de Neto e portugueses.
Para agravar ainda mais a situação, surge nova dissidência no MPLA, com um grupo de intelectuais chefiados por Gentil Viana. Gentil Viana era conselheiro pessoal de Neto e de formação Chinesa em Pequim, entre os anos de 1970 e 1972; Em 1977 é preso e torturado pelo próprio MPLA. Gentil Viana cria a “Revolta Ativa” sem objetivo militar, com uma direção demasiado fechada a Neto e, exigindo a este “direito da livre opinião”.
Teremos de voltar ao ano de 1968 e acompanhar a situação no M´Puto para saber ao certo as implicações dos acontecimentos em relação à Província de Angola. Salazar é hospitalizado em julho desse ano, depois de ter caído de uma cadeira no Forte de S. António em S. João do Estoril. Após a casca de banana ter funcionado na perfeição, novo ânimo invade os nacionalistas em Angola, mas, o seu substituto, Professor Marcelo Caetano, aparece com um discurso suave, defendendo “novos brasis” na África Ultramarina.
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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…
(Continua...)
O Soba T´Chingange