VIDAS QUEBRADAS – XXXIX
– “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 14
- Crónica 3768 – 28.09.2026
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Holden Roberto, envia Jonas Savimbi a Moscovo, na mira de obter apoio para a FNLA, mas o objetivo fracassa. É nesta altura que Savimbi começa a ser notado como uma figura carismática, de um grande poder dialético, diplomático e de grande força persuasora. Na capital soviética Savimbi acusa peremptoriamente Álvaro Cunhal de ter bloqueado todas as suas diligências; Álvaro Cunhal, tudo fez para tirar de cena Savimbi.
O encontro de Savimbi com Gamal Nasser é também anulado por via da intervenção contra, do líder do PCP – Partido Comunista Português. Lembrar-se que neste então Nasser dominava a senda Política Internacional, especialmente por ter imposto a nacionalização do Canal de Suez, na qualidade de chefe supremo das Forças Armadas da extinta República Árabe Unida.
Savimbi, como Ministro do Estrangeiro do GRAE, terá dito a Nasser que os israelitas treinavam militarmente a FNLA apesar de saber que aquele, era inimigo de Israel e que apoiava Holden Roberto. Depreende-se haver já alguma dissidência entre os elementos da FNLA pois que no ano de 1964 o Chefe do Estado-Maior do ELNA, José Kalundungo, abandona o movimento acusando Holden Roberto de “não favorecer a verdadeira unidade nacional, quando ataca os irmãos de luta”.
Alexandre Tati **- Cabinda (FLEC)
Nesta mesma altura as cúpulas políticas do GRAE acusam o seu Ministro da Guerra, Alexandre Tati, de pretender organizar um golpe contra Holden. Tati entrega-se com um numeroso grupo de homens ao Exército português passando a lutar com estes contra os demais movimentos nacionalistas, no intuito de apaziguamento com formação de um governo próprio para o Enclave de Cabinda por força e conforme o Tratado de Simulambuco (atual FLEC).
Continuando a jogar búzios nesta “Operação Xirikwata” relembro aqui e agora, muitos anos depois, a Luanda Capital de Angola da Província Colonial, para mim o centro do mundo de então. Tempos de candengue em que a Mutamba era o centro de tudo! Ali bem perto, ficava o lugar aonde antigamente se refugiavam os escravos fujões, seu primeiro refúgio.
Em kimbundo refúgio é ingombota, e essa ação de ali se esconderem, pois, assim ficou batizado o local. Quando passou a ser habitado, as pessoas diziam que moravam no n´gombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I” tendo ficado em Imgombota, do jeito atual. E, será assim que darei continuação ao tema “DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA” passados que são cinquenta e um anos do 11 de novembro de 1975.
Quatro meses depois, na reunião da OUA no Cairo, Savimbi afirma em clara alusão aos Estados Unidos da América, na altura apoiantes de Holden Roberto: “- Demito-me das minhas funções, que são do interesse do povo angolano e dos objetivos dos países irmãos.” Recorde-se que era até então, ministro do GRAE com o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros… Com este tema, continuarei jogando búzios na zuela do feitiço vendo o tempo a rugir…
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Imagens: A pintura de topo é obra de Zé Costa Araújo (meu Mano Corvo - Já falecido)
Nota: *Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…
Nota 2: ** Pessoalmente, estive com Alexander Tati no lugar de Buco Zau em Cabinda
Nota 3: *** Estive com ele várias vezes em Lagoa do M´Puto; Nesse então ele, era da UNITA
(Continua...)
O Soba T´Chingange