Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – XLVII

O TEMPO RUGE ... A OSGA COSPE

- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 22

- Crónica 3776 - 21.10.2026

CABINDA3.jpg É aqui e agora, que em toda a Angola, mais especialmente em Luanda, sua capital, começa a “Odisseia dos Retornados” - saber como dar solução a uma nova vida largando tudo e todos, encaixotar o possível num tosco baú e, largar tudo em troca de uma Guia de Voo para o M´Puto desconhecido da maioria. Começam aqui as noites mal dormidas com pressão e afastamento de nossos suspeitos irmãos do M´Puto, a dita Metrópole.

Nós, ultramarinos, íamos ser paulatinamente destinados ao abandono. As notícias chegadas de Lisboa até nós na dita “Província Ultramarina” eram por demais alarmantes; os comunistas militares e políticos do vinticinco tinham tomado as rédeas do comando na Metrópole, nos militares, na política, na informação, nos transportes, na saúde e educação – estávamos a ficar fritos ou em banho-maria!

A prioridade agora (anos de 1974/75), era de fazer caixotes com as coisas imprescindíveis e pôr passaportes em dia; é aqui que começa a “Guerra do Tundamunjila” (do vai embora branco) … Os angolanos todos (brancos e pretos), estavam a ser jogados às feras. Nós, maioritariamente despolitizados, andávamos como baratas tontas, fazendo prenúncios à-toa e, sem saber para onde ir; muitos houve, que melhor informados, zarparam para o mundo, mas a maioria ficou no matadouro à espera da “esperança”.

 fig3.jpg  Bem - como é esperança!?!  da Metrópole sabia-se: A TV do M´Puto, iniciava as suas emissões ao meio-dia com comiquitas do Pato Donald e do Rato Mikey, preenchendo as tardes com a Telescola. O saudoso Vitorino Nemésio acalentava os serões semanais com o programa “Se bem me lembro…”. 

Nicolau Breyner e Simone de Oliveira subiam ao palco do Teatro Monumental do Saldanha, com a peça “A menina Alice e o inspetor”. Amália continuava suas viagens em digressão pelo mundo; o fado era levado ao Japão que, sem entender patavina de português, deliciavam-se com as farpas e lamúrias do canto nacional. 

No Parque Mayer, o Capitólio anunciava a estreia de Marco Paulo.  Em Angola abundavam as canções de intervenção do Rui Mingas com “porrada se refilares!” - “peixe podre e fuba ruim”, com eteceteras de fazer raivas com makas racistas – estávamos manietados por todos os lados. Na Metrópole, o M´Puto, diziam enormidades, que os brancos faziam cabidela de pretos; num repentemente éramos canibais - estávamos fritos!... nós que pouco ou nada sabíamos da tal Catarina Eufémia de Baleizão.

maximbombo.jpeg Machimbombo da Luua

Embora a DISA, Direção de Informação e Segurança de Angola, Polícia política do MPLA, só se forme a 29 de novembro de 1975, com Angola já independente, as práticas maquiavélicas no terreno já se faziam sentir seguindo os ensinamentos formatados pelos soviéticos e alemães do Leste, mas, incentivadas pelos malabaristas militares de esquerda do famoso MFA com seu Concelho da Revolução (Coisa de Bolcheviques), das chamadas NT – Nossas Tropas com Rosa Coutinho, o merdalmirante esquerdoido no comando.

Também a UNITA, depois do grito da “Independência ou Morte do MPLA “, viria a criar a BRINDE – Brigada de Informação e Defesa, treinada pelos sul-africanos. O preparo de ambas as criadas instituições com gente autónoma era simplesmente nula. Mas, de momento e entre 1994 e 1995, no M´Puto os guedelhudos e barbudos surgiram como milhares a imitar o Ché Guevara, juntando-se no Coliseu dos Recreios, “hippies” aplaudindo de punhos fechados, bem ao jeito do símbolo do PS seguindo pensamentos de Lenine e Marx…

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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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