- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3732 - 25.05.2026 – “Missão Xirikwata”

Branco, aqui não é a tua terra, não te cortamos o pescoço, mas se fores esperto pões-te andar… Como fazer? Como entender? Como proceder? Eram demasiadas interrogações … Adeus Quipeio, adeus Vila Verde, adeus Longonjo, adeus Caála! Nos próximos tempos ficaremos ao relento do mato, faremos necessidades atrás das bissapas e usaremos o capim como papel higiénico. Como será duro relembrar isto!...
É branco, é colono, mais nada. A descrença na informação vinculada pela maioria dos órgãos de comunicação portuguesa, na sua grande maioria e, em Angola alinhadas com o MPLA, preconizavam o PREC – Processo de Revolução em Curso com as maiores virtudes; em verdade só transmitiam as truculências do MFA – Movimento das Forças Armadas.
Isto forçava-nos a só acreditar no boletim oficioso transmitido pela BBC de Londres, rádio France ou Deutsche Welle. A gente passa pelo tempo, mas a verdade é retida neste. Por via da total quebra de lei e ordem em Angola, a África do Sul vê-se na contingência de ocupar o perímetro da Barragem do Calueque. E, porque já tinham investido quantia avultada nesta obra, tiveram de proteger seus interesses e também seus trabalhadores.

Entretanto e de forma exaustiva o estado sul-africano exortava o governo português a assumir suas responsabilidades; sucede que o governo de Portugal estava sem dinheiro, nas lonas. Notando-se já um grande afluxo de refugiados em direção ao Sudoeste Africano – Namíbia, a África do Sul deu a conhecer que não poderia suportar tanta gente a optar por ali ficar.
Justificou-se que só poderia suportar gente suficiente e capacitada para exercer qualquer atividade em seu território tanto no Sudoeste como em todo o restante seu território em África. Que só aceitaria mão-de-obra especializada; a 20 de agosto de 1975 o numero de evacuações já totalizava 20 mil portugueses.
A afluência à fronteira norte da Namíbia fazia-se por diversificados percursos por mforma a fugir ao controle de bandos armados e guerrilheiros mal preparados que do nada, surgiam por todo o lado. E, maioritariamente na forma de caravana faziam-se através de Chinguar, Bela Vista, Chitembo, Mumbué, Serpa Pinto, Caiundo, Mucundo, Savale, Cuatim e Catwitwi.

Os tipos de veículos eram bem diversificados, carros de diversas marcas, camionetas para vários fins de transporte, máquinas e tratores agrícolas e, em número muito elevado, na ordem de dezenas de milhar. Um, entre milhares de vozes dizia: Perdi o emprego, a minha casa, o carro, todo o meu património junto em uma vida – Foi-me negada uma pátria para viver; ficamos numa miséria completa e com a família amontoada num precário abrigo de lona.
Que nos resta mais perder além de nossas vidas? A única coisa positiva que nos resta é a solidariedade, a entreajuda de outros que como nós, assim estão! A África do Sul alertada por evidências da escalada militar em Angola com apoio soviético e cubano ao MPLA, autoriza o fornecimento de armas e treino à UNITA e FNLA respetivamente em um campo perto de Silva Porto e, um outro perto do Rundo sob a liderança Van Der Waals e Jan Breytenbach.
:::::
Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de T´Chingange, o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange