VIDAS QUEBRADAS – XXVI
– “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA -1
- Crónica 3755 – 25.07.2026
Recordando mokandas antigas, jogando búzios, relembro agora, muitos anos depois, a Luanda Capital de Angola Província colonial, para mim o centro do mundo de então. Tempos em que a Mutamba era o centro de tudo! Bem perto ficava o lugar aonde antigamente se refugiavam os escravos fujões, o seu primeiro refúgio. Em kimbundo refúgio é ingombota, e essa ação de ali se esconderem, pois, assim ficou batizado o local.
Quando passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam no n´gombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “i” tendo ficado em Imgombota, no jeito atual. Será assim que darei continuação ao tema “Xirikwata”. Em março de 1964, Jonas Savimbi, Tony da Costa Fernandes, N´Zau Puna e o advogado Paulo Tjipilica, anunciam na capital zambiana, Lusaca, um novo movimento independentista: A União Nacional para a Independência Total de Angola – UNITA.
Quatro meses depois, na reunião da OUA no Cairo, Savimbi afirma em clara alusão aos Estados Unidos da América, na altura apoiantes de Holden Roberto: “-Demito-me das minhas funções, que são do interesse do povo angolano e dos objetivos dos países irmãos.” Recorde-se que era até aqui, ministro do GRAE com o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros…
Monstro Imortal (Jacob Caetano)
Savimbi, recebe então uma proposta do MPLA, visando a criação de uma “Superdirecção Nacional de Luta” que incluiria membros de todos os movimentos já formados. Este, concorda e escreve um texto de denúncia contra Holden Roberto, distribuído na reunião do Cairo, mas, imprevisivelmente, parte para a China com mais onze companheiros aonde frequentam a Academia Militar de Nanquim.
A partir de 1966/67, Mao Tzé-Tung passa a fornecer apoio militar à UNITA, então expulsa da Zâmbia por ter atacado um comboio do Caminho de Ferro de Benguela – CFB. De facto, Jonas Savimbi havia abordado com o presidente Kaunda que a UNITA não atacaria os comboios do CFB que escoavam o minério zambiano para o porto do Lobito; a economia da Zâmbia dependia muito desta exportação.
Por Savimbi não ter cumprido este acordo, quando se preparava para entrar clandestinamente em Angola a partir da Zâmbia, Kaunda manda-o prender. No decorrer da guerra colonial os portugueses aproveitaram habilmente esta situação e, conforme as conveniências, passam a fechar a linha férrea, atribuindo a paralisação a ataques feitos pela UNITA e MPLA; desta forma Kaunda ficou manietado às vontades do M´Puto.
Com o apoio americano, no ano de 1965, o sargento Joseph Desirée toma o poder no Zaire e instaura a “lei da autenticidade”. Absurdamente obriga os zairenses com nomes europeus a adotarem nomes africanos. Não lembra ao diabo que passou também a ser satanás e, eis que, Joseph Desirée passa a chamar-se Mobut N´Guendu Kukuwa Zabanga Sese Seko.
Este nome significa ser “o rei das árvores, dos rios, dos céus”. Não vem daí mal ao Mundo porque eu próprio, sendo relator destes acontecimentos tomei o nome de T´Chingange com nascimento no vapor Niassa - portanto um Niassalês… Nesse ano de 1965, sob o comando de Jacob Caetano com o pseudónimo de guerra de Monstro Imortal, guerrilheiros do MPLA saem de Brazzaville, atravessam o terreno hostil de Mobutu e pelas barreiras postas pela topa portuguesa ao longo da fronteira e, infiltram-se na riquíssima região dos Dembos, onde passam a praticar emboscadas na apelidada “estrada do café” – Luanda, Caxito, Carmona (Uíge). Chegam mesmo a atingir o Ucua e a Funda, muito próxima de Luanda.
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Ilustrações de Costa Araújo
Nota: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange, …
(Continua...)
O Soba T´Chingange