- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3733 - 27.05.2026 – “Missão Xirikwata”

Daqueles guerrilheiros sob a liderança de Van Der Waals, parte dos da FNLA, eram compostos por homens saídos do Esquadrão Chipenda. Aqueles oficiais de ligação tinham a missão de treinar a UNITA, sendo coadjuvados por 19 instrutores com a missão de estabelecer uma posição sólida no centro de Angola.
Alheios a tudo isto, a caravana saída de Nova Lisboa, tendo alguns participantes notando movimentações de tropas e carros de guerra apetrechados; estavam a tomar envolvimento na força a que viria a chamar de “Operação Savana” E, alheios às manobras da Operação Savana, centenas de milhares de civis estavam entregues a si próprios no meio de um real colapso de segurança, algo nunca imaginável.
A partir de Menongue, antigo Silva Porto, fazia-se justificação descritiva de ser uma rota para Terras do Fim do Mundo. Já no 5º e 6º dia de viagem, esta etapa era só areia, picadas de sulcos fundos ziguezagueando pela planície, calor abrasador de dia e um frio de entorpecer à noite.

O rio Cubango que segue paralelo ao percurso serve a todos no fornecimento de água, possibilitando também ter-se a necessária higiene, fazer-se comida e lavagem de utensílios. Alguém relembra: Até ontem cozinhei para todos (referente a família) em cima da camioneta e no meu fogão; fritei batatas e ovos, fiz pasteis para servir de pão e bolos fritos.
Constou-se na longa caravana que um jacaré apanhou um homem que se labava na margem, mas com tantas inquietudes nem me certifiquei se efetivamente morreu.
De salientar que éramos obrigados a parar com frequência nos controlos que a UNITA dispunha ao longo da picada feita estrada, mas nossa escolta que percorria a caravana à frente e atrás sempre conseguia sair da situação por força de uma metralhadora Browning 12.7 montada em cima de um Land Cruiser sendo manobrada por um ex-flecha da equipa de Chipenda.

A 30 de agosto somos sobrevoados por um helicóptero militar acenando-nos ao jeito de boas-vindas e, assim ficamos a saber que finalmente chegávamos ao destino. Entretanto um jipe aproxima-se saído da cerca de fronteira existente inteirando-se se entre nós havia algum doente ou gente a necessitar de cuidados médicos.
Assim, esperava-nos um campo de refugiados improvisado do lado angolano Katwitwui era aquele ponto no meio dum nada extenso com um rio e alguma vegetação. Lugar aonde os sul-africanos montaram um primeiro ponto de contacto e contenção. Só aqui se desvaneceu o sentimento de insegurança.
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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de T´Chingange, o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange