- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
Crónica 3734 - 31.05.2026 – “Missão Xirikwata”

Nas terras do Fim do Mundo, enfim… Com as «engenhocas» do senhor Serra lá se conseguiu escutar as emissões de rádio em onda curta e assim, por este meio se ficou a saber que o governo português dava a conhecer em Nota Oficial e ao Mundo a suspensão do Acordo de Alvor. Isto já o tinha sido referido na Cimeira que se realizara em Nakuru realizada entre 16 e 21 de junho de 1975, promovida pelo presidente queniano Jomo Keyatta com a deliberada exclusão de Portugal.
Naquela terra semidesértica, logo aos primeiros raios solares, as gélidas noites davam lugar a um forno diurno. Ali chegados, a Catwitwi, ficou-se a saber que já por ali se encontravam outros refugiados que de modo próprio, famílias e outros inseridos em caravanas menores. Caravanas saídas de outros pontos do mato do interior de Angola.
A grande maioria, porque não ia precavida de tendas, usavam lonas grandes ou plásticos amarrados aos galhos de árvores ou em paus, improvisados chinguiços espetados na areia com muitas espias que para além de segurar as improvisadas acomodações, também entorpeciam o espaço. Era um colorido arraial disperso com oleados verdes, plástico azul, toalhas de mesa e mais o que desse para criar sombra.

Ao chegar a noite, lá pelas seis horas da tarde, o arraial era remexido com novas disposições de lonas e oleados a fim de garantir mais proteção ao frio da noite. As noites eram dormidas como sardinhas em lata, encostadas umas às outras e envoltas em agasalhos assim fossem cobertores ou mantas dobradas a fazer de cabeceiras. Havia no ar cheiros, choros e sonhos salpicados de roncos ou falas em surdina.
Uma unidade militar sul africana distribuía agasalhos, água potável, alimentos enlatados e prestava auxílio médico a quem o necessitava. Nesta unidade militar havia dois soldados luso-sul africanos que facilitavam mo contacto a quem não sabia falar o inglês. Casos houve, de terem de ir à cidade Rundu do outro lado do rio, já na Namíbia para receberem auxílio médico.
Nos dias que se seguiram os militares auxiliados com máquinas limparam uma vasta área aonde montaram de forma mais eficiente três grandes tendas do género militar que iriam servir para centro médico, armazém de coisas e géneros e de um notariado improvisado. Aqui, para além de se registarem casamentos e batizados, prestavam apoio ao esclarecimento das leis vigentes entre outros comunicados necessários::::7
Entretanto, soube-se que o Secretário-Geral do Alto Comissário em Luanda, António Gonçalves Ribeiro, foi a Lisboa do M´Puto fazer valer o óbvio, a urgência de ser formada uma ponte aérea para Portugal ou outros países que dessem guarida ao êxodo, incluindo outras formas, assim o fossem por terra ou mar. E, foi graças à sua determinação que as autoridades portuguesas fizeram um apelo de ajuda internacional para este êxodo de povo.
A Ponte Aérea teria início nos primeiros dias de agosto de 1975 com os aviões disponíveis da TAP. Era óbvio, que mesmo todos os aparelhos da TAP, o não eram suficientes para escoar milhares de gente que todos os dias se acumulavam nos dois aeroportos, a saber de Nova Lisboa e Luanda. A 27 de agosto a América – EUA, responde ao apelo português, facilitando assim o processo aos demais países do Mundo…
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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de T´Chingange, o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange