Kimbo Lagoa

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXII ... ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - X

- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista 

- Crónica 3735 - 04.06.2026 “Missão Xirikwata”

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América respondeu ao apelo português tendo Frank Carlucci imposto a condição de o governo de Portugal deixar de se alinhar com o movimento do MPLA. Carlucci frisou ainda que o governo português proibisse a entrega de equipamento das FA – Forças Armadas àquele movimento em procedimentos ocorridos durante os executivos provisórios, liderados por Vasco Gonçalves.

A CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA em Angola ajudavam às descaradas, o MPLA. Não só lhe davam armas como logística à sua organização com planeamento, instrução e até técnicas de sublevação com infiltrações inauditas, usando os dados de reconhecimento militar português. E, foi assim que renasceu o MPLA pois que nesse então, ano de 1975, o movimento estava morto!

As informações recolhidas no Katwitwi eram obtidas através das rádios internacionais por meio dos tais zingarelhos, com arames esticados a fazer de antena amarrados aos ramos de árvores. E, foi das «engenhocas» Serra coadjuvado por Borgas que se ficou a saber da adesão ao apelo dos americanos no apoio urgente com meios aéreos ao êxodo das gentes em fuga de Angola.

Para além dos Estados Unidos, aderiram o Reino Unido, União Soviética, R.D. da Alemanha, França e Bélgica. Segundo um jornal australiano, por alturas de agosto de 75, já se teriam provocado a morte de quatro mil pessoas na sua maioria de etnia negra. Isto era mais do que o total conhecido em 13 anos na luta contra o regime colonial português.

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O maior êxodo da história em África estava em marcha.  Os Navios Hermenegildo Capelo, N´Gola e Açores, faziam chegar a Luanda deslocados de todo o litoral Sul como Novo Redondo, Lobito, Benguela e Moçâmedes. Para Moçâmedes e, em fins de setembro uma companhia de para-quedistas seguiu para esta cidade a fim de controlar o embargue de bagagens dos refugiados. 

Ali, as FAPLA, só permitiam os embarques com a sua presença, obrigando os trabalhadores da estiva a só cumprirem cinco horas por dia. Já nessa altura havia a ideia generalizada entre os refugiados de que se estava a trocar a calamidade vivente em angola pelo caos em Portugal Continental. Era a vida de cada qual que estava em risco! 

Savimbi, líder da UNITA i declarou ter havido ingenuidade de sua parte em acreditar que todos os Movimentos só receberiam as armas que Portugal lhes desse. A única coisa que pedia a Portugal era a de que Lisboa não legitimasse o MPLA num reconhecimento de declaração unilateral de independência; e frisou bem: mesmo que outros países o fizessem! 

Holden Roberto, confiante que iria tomar Luanda nas vésperas do 11 de novembro aceitou que a entrega do poder fosse dada ao Movimento que nessa altura estivesse na posse de Luanda. Este bluff era senão demasiado inocente, demasiado estupido! Em verdade, esta espécie de estadista ficou no lodo da estória. Neste meio tempo cheio de incertezas soube-se da formação de um primeiro grupo composto de 250 elementos, sendo da FNLA de Chipenda e «flechas» desmobilizados do exército português e, que viriam a ser as primeiras forças especiais sob o comando sul-africano…

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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de   T´Chingange, o Soba

(Continua...)

O Soba T´Chingange

 

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