- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3736 - 07.06.2026 – “Missão Xirikwata”
Os instrutores eram forças especiais sul-africanas chefiadas pelo coronel Jan Breytenbach com base montada em M´pupa no Cuando Cubango, a 75 quilómetros a noroeste da cidade do Rundu. Foram aqui os primórdios da formação do famoso Batalhão Búfalo.
Neste «refuge camp de Katwitwi» não havia telefone para se poder comunicar com o exterior e, já em setembro, alguém ao jeito poético, descrevia do seu modo: aqui há bicha para tudo, bicha p´rá água, bicha p´ró leite, bicha p´ró pão, p´rá batata e o feijão. Também há bicha p´ró médico e p´ró enfermeiro p´ra tirar bitacaia ou besuntar-se de creme p´ra eliminar a flor-do-congo…
Na noite de 14 de outubro começamos a ver diferentes tipos de viaturas, nova gente, militares e blindados a cruzarem a fronteira. Era o início da chamada «Operação savana» que viria a chegar até ao rio Cambongo a norte de Novo redondo, atual Sumbe e, já muito próximo a Luanda. Aqui, em combates com forças cubanas viram-se obrigados a recuar.
E, foi a 24 de setembro de 1975 que as SADF – South African Defence Force, lançaram um plano com quatro fases de ajuda à FNLA e à UNITA liderado pela chamada «Task Force Zulu». Entretanto no «arraial camp do Katwitwi» era importante gerir a higiene que poderia até ser vital para quem arriscava banhar-se no Okavango pois que neste, corriam uns traiçoeiros rápidos com jacarés esperando nas águas paradas.
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Os silêncios das noites eram barulhados por sons do mato e outros sussurros, lembranças estaladas entre muitos outros ruídos diluídos na densa escuridão. A seis de outubro, teve-se conhecimento pela imprensa da perentória recusa por parte da UNITA e FNLA a fazer parte de um Governo de Transição previsto no Acordo de Alvor. A nomeação para ministros sem pasta de Johnny Eduardo da FNLA e José N´Dele da UNITA ficou só no papel.
O Almirante Leonel Cardoso, ficou sem respostas e sem alcance prático para fazer cumprir o acordado. Desta feita só o Lopo do Nascimento ficou no governo sombra do fabricado MPLA pela militância esquerdoida de parte dos militares de abril em funções no MFA, CR e seus próxis do chamado PREC, do Partido Comunista e as Brigadas de Otelo Saraiva com seus braços armados de Fidel.
As forças conjugadas de MPLA, Cuba e Moscovo, coadjuvadas no campo diplomático por Berlim Oriental e beneplácito do MFA português e seus apaniguados, originaram que a (nova) administração americana de então desse ordem de retirada àquela «Task Force Zulu» que avançava para Luanda. Estes «amigos-de-Peniche», têm um estorial nesta prática bem periclitante. Desta vez abandonaram seu amigo Mobuto Sese Seko marimbando-se p´ro resto do Mundo. Infelizmente, assim continuam…
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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de T´Chingange, o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange