Kimbo Lagoa

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXIV ANGOLA ... VIDAS QUEBRADAS - XII

- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista 

- Crónica 3737 - 10.06.2026 – “Missão Xirikwata”

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Havia outro campo mais a sul da Namíbia com aspeto bem desolador. Eram filas de tendas militares bem ao jeito do campo de concentração, tal como o tinha sido durante a segunda guerra mundial, só que agora tomou o nome de «campo de refugiados». Ficava a mais de 250 quilómetros da fronteira com Angola, bem perto de uma pequena cidade chamada de Grootfontein, terra de grandes nascentes de água e no meio de extensas terras vermelhas.

Havia ali muito arame farpado. Este quadro geral de «campo arraial», era bem diferente de Katwitwi. E, era dali que saíam todos os dias autocarros cheios de refugiados com destino a Portugal, via Windhoek. Enquanto em Katwitwi havia condições de se criar amizades entre refugiados e militares dos quais, uns tantos que sabiam falar português, aqui tudo era mais austero. 

Em verdade, a grande parte de todos estes deslocados queriam ter a oportunidade de aqui na Namíbia, iniciar uma nova vida partir de Johannesburg ou uma outra qualquer mais a sul como Cape Town.  

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Em meados de outubro, a tensão era grande entre os refugiados pois não vislumbravam a hipótese de obter visto de permanência em território sul-africano. Alguns, mas poucos, conseguiram trabalho ou ficar com familiares dispersos pelo território africano; outros houve, que conseguiram manter outro estatuto de candidatura na permanência por via de apresentarem habilitações, conseguindo assim abertura a um trabalho mais classificado.    

O normal mesmo era todos serem conduzidos àqueles campos com transferência rápida para Portugal, maioritariamente por via aérea; quando acontecia ser por via marítima era-o feito normalmente por Walvis Bay. A chegada a Portugal de toda esta gente era de grande tristeza, de grande revolta, grande injustiça e muita inconformidade. 

O estado do M´Puto estava visivelmente desorganizado, muito sujeito a organizações sindicais «ad hoc» agressivas ou pouco compressivas com a condição de “retornados”, “refugiados” ou “colonos”.  Os «comités políticos» de então eram-no maioritariamente pouco colaborantes com essa condição de deslocados de guerra. Havia carência de alojamentos, empregos, meios de locomoção, escolas e, um sem fim de outros requisitos; coisas para esquecer…

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A 17 de outubro de 1975, ao raiar do dia e em poucos minutos, alastra a nova ordem de abandonar o campo de Katwitwi com destino ao novo campo de Calai. E, eram milhares de refugiados a desmontarem todo o tipo de «traquitana», de extensões de fios, espias, barracas e tendas colocando corotos de tralhas nas respetivas viaturas dum qualquer jeito jeitoso.

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Calai «Refuge Camp», ficava do lado contrário à cidade do Rundu tendo o rio Okavango de permeio. O trajeto de Katwitwi até Calai foi bem difícil de fazer, era só areal e os carros que não tinham tração às quatro rodas, atascavam-se com muita facilidade. Qualquer outro melhor lugar de possível picada, tornava-se em mais um episódio na desagradável tarefa de dali sair.

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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de   T´Chingange, o Soba

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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