- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3742 - 27.06.2026 – “Missão Xirikwata”

A maioria de nós já não é capaz de compreender hoje, os grandes problemas morais do Mundo no passado. Já lá vai o tempo em que era só separar o joio do trigo, rezar um pai-nosso ou uma ave-maria para suspender as preocupações circunscritas, porque o longe era-o em demasia e no cercano, o quimbanda ou o prior, comunicava ao kimbo ou aldeia avisos de alvissaras com umas quantas defuntações, pois que sabia de tudo e até sabia encobrir o que era para não ser sabido.
E, afinal não existe "pedra" em nosso caminho que não possa ser aproveitada para nosso próprio uso em crescimento. Muita sabedoria, luz e prudência, é necessária ter para saber o que fazer com cada pedra que se encontre, tornando-as alicerces de nossas vidas. Observe-se que a diferença não está na pedra, mas na atitude das pessoas perante as inerentes coisas! Desta feita, a estória da “Grande Marcha com Savimbi” de muitos anos atrás, em Angola, reaviva-se também aqui neste êxodo, numa permanente angústia, surpresa, e penosa admiração.
Naquela penosa «Grande Marcha da UNITA», observou-se que as peles das bagas eram fervidas de novo, juntando a elas folhas de uma outra árvore. E, a sopa líquida que daqui resultava parecia óleo vegetal queimado e, ao fim de meia hora, deixava os convivas enfraquecidos, muito mais fracos e inchados. Porém, era uma forma de se alimentarem. Um dos guerrilheiros sabia como colher mel silvestre e, trouxe consigo uma pequena quantidade. Vinoma Savimbi, perita em cogumelos silvestres, conseguia selecionar alguns.
Porém, cinco soldados morreram envenenados depois de comerem míscaros, apanhados sem terem consultado Vinoma… Savimbi fez um discurso encorajador exortando os soldados a não se deixarem render perante a morte, porque o povo estava à espera que combatessem. «Esse foi realmente um momento chocante e assustador porque alguns dos soldados não tinham sequer a capacidade física necessária para responder ao seu apelo, embora pudesse ver-se que o desejavam».
Retrocede-se aqui à descrição mais recente do «Êxodo dos Retornados» para lembrar esse outro êxodo verificado no interior de Angola e, por via da não consumação do tal “Acordo de Alvor”. Ainda no «Calai Refuge Camp», soube-se pelos norte americanos que o esforço de apoio militar soviético assumia um gigantesco esforço estimando que a união Soviética entregou ao MPLA mais de 10 mil toneladas de armas, diversificado equipamento e, a um ritmo continuo.
Em Angola, tudo o era feito por modo a proporcionar ao MPLA a vitória, com Valódia e muitos outros novos heróis assim o era cantado em populares algazarras como a «vitória é certa e, a luta continua» num permanente frenesim de estourar petardos para o ar. Na ponta da ilha de Luanda, estando eu à pesca nos meses de março e abril de 1975, podia ver grandes nuvens negras acompanhadas de grandes rebentamentos lá do lado da costa, direção do Sambizanga, Morro da Cal, Cuca e Bairro Operário, bem no circulo interior da cidade da Luua (Luanda).
À data da independência, a cidade de Nova Lisboa, agora Huambo, era declarada pela UNITA como a capital da «República Democrática de Angola». A cidade era guardada por militares da UNITA trajados com uma parafernália de roupagens, chapéus de cowboys, capacetes e boinas militares portuguesas, usando armas dos mais variados tipos como velhas carabinas, Uzis israelitas, FBP portuguesas, ÀK47 soviéticas, algumas G3 e FN entre outras espingardas britânicas e belgas.
Apesar da evidência nos apoios de Cuba e Moscovo ao MPLA, o serem muito anteriores à intervenção de Pretória, a África do Sul mantinha-se numa posição de secretismo. Estava em causa a crítica internacional na ajuda aos outros dois movimentos, UNITA e FNLA, não comunistas, e também por via de uma imagem externa já degradada. Tudo o era, decorrente do apartheid e da influência americana que proibia todo o apoio militar e financeiro às forças anticomunistas. Era a tal de «Emenda Clark» originária do fracasso estadunidense em sua intervenção no Vietname. Em verdade, os americanos sempre o foram, uns incertos e perigosos amigos; muitas vezes, falsos.
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Nota: Com alguns enxertos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de
T´Chingange, o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange