Kimbo Lagoa

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXVII ::: ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XV

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXVII

ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XV

- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista 

- Crónica 3740 - 23.06.2026 – “Missão Xirikwata”

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A verdade é como o azeite, vem à tona de água com o tempo; as memórias que antes eram mujimbos em Angola, tornam-se agora verdadeiras. Podia escrever-se um livro com judiarias ainda não reveladas, mas esta tarefa, cabe a escritores ou mercenários da escrita que antes foram guerrilheiros ou fazedores de mambos que alteraram o rumo à história. 

Desta feita terei de relembrar o que muitos não devem saber acerca do Rosa Coutinho, marinheiro com a patente de vice-almirante.  Foi o oficial de aviário mais verdadeiro na história recente dos Tugas pois que teve o seu início passado numa gaiola. Em verdade, foi Holden Roberto como patrulheiro da fronteira do Zaire que o fez passear em jaula como um macaco, o General Vermelho.

As aventuras de adversidade, não têm tempo, não têm princípio nem fim, são uma permanente descoberta de novos pedaços de passado com repercussões boas ou nefastas num futuro incerto e, por isso, terei de abandonar por algum tempo a descrição final dos moradores dos vários «rustecamp» da Namíbia e África do Sul, os tais campos de refugiados, gente tão esperançosa de poder voar para o M´Puto e, para lembrar episódios por vezes surreais.

Terei de lembrar o homem segredo conhecido por Lúcio Lara, o grande racista ajudante em campo do Vermelho Rosa Coutinho e, que junto com outros mercenários da escrita deram contornos às narrativas de suas escritas.  Entre outros, posso mencionar Pepetela ou Tchiweka.

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Mas, foi a Kianda Pieter que me segredou um dia: - Entre a bruma da maresia, já clareando, vi centenas de gente militar percorrer o areal, reunir apetrechos de guerra, subir para carros do tipo «unimog» e galgarem a montanha da costa a caminho de uns galpões construídos…

Gente que vim a saber pouco depois serem cubanos. Estávamos em fins de julho do ano de mil novecentos e setenta e cinco. Aqui, interrompo a Kianda: - Os Cubanos, pelo que consta, só a cinco de outubro desse ano é que chegaram a Angola. Foi isto que sempre disseram quanto à ajuda pela União Soviética através de Cuba.

- Pois, (...) vocês souberam o que Rosa Coutinho queria que soubessem. - Tudo o descrito só é possível a partir da chegada a Luanda do Vermelhão Rosa como Presidente da Junta Governativa de Angola precisamente em julho de 1975. Foi na praia de Zângano um pouco a norte de Cabo Ledo que desembarcaram os primeiros homens comandados pelo General Raul Diaz Arqueles. 

Ali descarregaram os primeiros complexos móveis de defesa antiaérea “Strela”; os instrutores deste equipamento sofisticado estava a ser coordenado pelo Coronel Trofimenko que a partir da República do Congo Brazzaville eram enviados numa primeira fase em aviões mais pequenos para a pista de aviação da Quiçama em Cabo Ledo.

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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de   T´Chingange, o Soba

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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