Kimbo Lagoa

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXVIII ::: ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XVI

- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista 

- Crónica 3741 - 25.06.2026 “Missão Xirikwata”

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Andrei Tokarev afirmou que o seu comando enviou oficiais e sargentos que se aquartelaram em quarteis que contornavam Luanda, que em sequência das orientações do «agente vermelho Rosa» estavam ao abandono. Por esta altura desde Kifangondo passando por Catete, Colomboloca, Cassoalála, Cassoneca, Dondo, Massangano, Muxima, e descendo o rio até à foz do Kwanza e Cabo Ledo já estava tudo queimado. Ficaram algumas estruturas de pé para assegurar bivaque aos novos guerrilheiros e instrutores do MPLA.

Enquanto aquela «cruzada revolucionária tuga-cubana-russa comunista» evoluía em Luanda e arredores, genericamente em todo o norte de Angola até Cabinda, pelo «rustcamp de refugiados» do Calai, em frente à cidade do Rundu, sobrevivia-se entre pó e lama e muito mosquito; sem eletricidade todos se protegiam com cremes que há mistura com o mau cheiro só se zunia esperança, como se tudo pudesse respirar uma vida melhor no futuro.

À estória estranhamente absorvente com a Kianda Pieter que foi já fruto de descrições anteriores, não resisto descrever de novo os mambos recentes ocorridos em Cabo Ledo. E, é a Kianda Piieter que diz: - Estava tudo planeado, Rosa Coutinho, tempos antes, escreve uma carta timbrada do antigo Gabinete do Governo Geral de Angola a Agostinho Neto, presidente do MPLA.

A carta estava redigida nos seguintes termos: “Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do processo: Aterrorizar por todos os meios os brancos, matando, pilhando, e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos (…)”

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Esta Carta escrita a 22 de dezembro de 1974. terminava com saudações revolucionárias e, com “a vitória é certa”, slogan este, que foi usado exaustivamente pelos seguidores de Agostinho Neto.  A mesma tinha a assinatura, Alves Rosa Coutinho, Vice-Almirante. Recorde-se que a tropa Tuga, foi proibida de entrar nos musseques a fim de proporcionar livre ação ao “Poder Popular” e «Pioneiros”. Simultaneamente foram retiradas todo o tipo de armas na posse dos brancos.

No que aqui se conta, á muitos buracos por preencher, mas nem Lúcio Lara, nem “Tchiweka” entre tantos outros mercenários da escrita, alguns ainda em vida, nos irão descrever «tal como o foi». Eu, o relator desta estória que viveu algumas destas épocas e lugares, confirmo-o. Nesse então, o medo tomou conta de todos generalizando-se pela ajuda da FUA e o beneplácito Tuga, afirmou a Kianda Pieter do Cabo Ledo.

Estava em curso a “cruzada revolucionária comuna“, com a anuência total de Portugal através de suas Forças Armadas, seu MFA e seu Conselho de Revolução e anuência quase total do povo do M´Puto transgredindo grosseiramente todas as normas por si estabelecidas no «Vinticinco de abril de 75» e do já morto e enterrado Acordo do Alvor. 

A 3 de novembro de 1975, era dado como concluída a megaponte aérea de evacuação de Angola para Portugal. Dos 905 voos, 451 foram assegurados pela TAP, dos quais 172 foram fretados a companhias estrangeiras. O transporte marítimo foi também dado como finalizado a 9 de novembro, sendo por estes transportadas   260 mil m3 de carga, e mais de 16 mil viaturas, através de 28 navios. Mas, é sabido que dezenas de pequenos barcos, «traineiras de pesca», fizeram a viagem até Portugal e, de modo próprio. Desta viagem, ainda guardo a guia-de-marcha.

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Nota: Com extratos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de   T´Chingange, o Soba

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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