BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXXII
ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XX
- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3744 - 02.07.2026 – “Missão Xirikwata”

Em Angola, no dia 17 de setembro de 1975 começa a evacuação de Sá da Bandeira para Luanda. As condições adversas de futuros incertos, com dificuldades de toda a ordem, seriam sentidas no M´Puto sem bombordo. Uma nau à deriva…
Entretanto os diretores da comunicação social, os poetas ativistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz. Pois! Os poetas, com novas rimas, cantavam makas perfilando sua falas com o MFA, libertando o povo com chavões transformando a rádio num grande megafone desordenando as cabeças de todos.
No aeroporto o medo cheirava-se com loucos gritos intercalados com silêncios tornando a moralidade numa batata apodrida… Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muito mais; mas aqui não havia fracos ou fortes, só deprimidos… havia sim, muito eufemismo nas falas dos governantes, uma maneira de falar pouco clara para confundir a realidade de um facto adulterando a realidade - ideia de não falar claro e simples para ver se as pessoas não entendem.
E, havia sim a inconfidência que por outras nuances suprime a lealdade para com alguém indo mais além do eufemismo, uma mentira camuflada. Era isto que andava na cabeça das pessoas tão cheia de mentiras e sofismas só para perturbar os ânimos que eram bem escassos. Pois então, o MPLA com ajuda das “NT - Nossas tropas - Tugas”, em logística e armas, utilizavam todos os meios para combater a FNLA, incluindo a calúnia e mentiras absurdamente irreais.

A certa altura deste imbróglio chamado de «descolonização», vísceras de seres humanos, supostamente retiradas das casas dos dirigentes da FNLA foram exibidos e mostrados em cartazes por toda a Luanda… Coisa mais macabra, até parece mentira e, decerto não virá nos anais das estórias contadas por medíocres ou falsos historiadores da praça Lusa – Hipocrisia! Gente do MPLA, assaltaram o Laboratório do Instituto de Medicina Legal de Luanda para retirar órgãos humanos e propagandearem a seguir em muitos posters, que a FNLA era um bando de antropófagos, que comiam fígados e corações de gente – Uns canibais, afirmavam eles!
A médica responsável pelo Laboratório deu à língua e, misteriosamente desapareceu. Algum tempo depois foi encontrado um cadáver feminino calcinado pela cal, possivelmente era o seu. Tudo valia para lançar o terror, principalmente à população branca… Naqueles tempos da Luua, todos faziam o que lhe dava na gana com a “Kalash” na mão, saltando no tempo do tempo… Sem definir datas ou horas exatas com gente impreparada e, miúdos “pioneiros”, o MPLA, faziam querer tomar o controlo de tudo e, por modos de provocar a fuga de brancos e assimilados, mazombos como eu…
Para além do M´Puto, o Mundo todo, colaborava nesta farsa ou, assim parecia! Um retrocesso ao tribalismo com todas as nuances, tudo muito carregado de misticismo e crenças de quimbandas ou sobas analfabetos e sem o mínimo de preparação para gerir o que quer que fosse. Melo Antunes, Mário Soares e outros encarnados na vermelhidão, decerto lá nos areópagos internacionais, não dissertavam conversas destas com Kissinger enganando-se, simplesmente.
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Nota: Com alguns enxertos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências de
T´Chingange, o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange