- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3746 - 05.2026 – “Missão Xirikwata”

No «Refuge Camp de Grootfontein» um oficial luso sul-africano, o segundo tenente Manuel Coelho, foi o responsável administrativo do mesmo. Designado pelas forças sul-africanas ao qual ele pertencia, passados anos e por via de recolha para se escrever o livro “Vidas Quebradas, de António Mateus, relembra: Toda aquela gente que estava bem em Angola, de repente, é forçado a deixar tudo para trás. A viver de malas e sem teto – uma calamidade!
Anos depois, vários refugiados à volta de uma mesa na margem do Kavango River, tomando chá roiboos, podem recordar os tempos periclitantes de então: - Nós os refugiados chegados aqui, vendíamos tudo ao desbarato, o carro, a geleira, qualquer imbamba de valor. Melhor! Não os vendíamos… trocávamo-los por uns parcos randes, a moeda local; um «rand» era comprado por mil escudos.
O dinheiro de Angola, ninguém queria - deixara simplesmente de ter algum valor. As pessoas em fuga, carentes de tudo, tinham de trocar o que quer que fosse e por qualquer valor porque não tinham mais nada. Enquanto isto sucedia aqui nas terras do-fim-do-mundo, em Luanda apenas um punhado de bravos efetivos do COPLAD, fiéis ao Alto Comissário, defendia a vida e os bens dos portugueses.
Na Avenida Brasil e na dos Combatentes da Luua, as principais sedes dos movimentos foram destruídas entre si, a tiro e, com elas, os edifícios onde se situavam, alguns com dezenas de apartamentos trespassados por roquetes ou por balas perdidas, por tiroteio assassino e negligente. Os pseudo guerrilheiros do MPLA, sempre criativos em assuntos bélicos, davam uma nova utilidade a esta arma usada para destruir tanques de guerra.

Visando o seu poder de fogo, aqueles raivosos drogados, literalmente, de forma sumária, matavam quem quer que fosse da UNITA ou FNLA. Os estragos, como se poderá imaginar, eram astronómicos, e punham em perigo milhares de civis. Na população branca, dissolvera-se de vez a ilusão de que seria possível ter um lugar no futuro de Angola.
O último grito em armamento eram os canhões sem recuo usados aleatoriamente contra viaturas blindadas, casas térreas ou edifícios de muitos andares. A anarquia fazia-se sentir em todos os lados, nos meios urbanos ou mato com pequenos núcleos de população, Em Malange, No Huambo, no Kuito, em um qualquer lugar com picada de acesso.
Em fins de julho de 1975 era urgente que Lisboa enviasse seis chaimites devido à escalada de violência. Silva Cardoso tinha feito esse pedido, mas estou em crer que isto não se chegou a concretizar. Era uma exigência, sobretudo pela violência desencadeada pelos “soldados” do MPLA, drogados incontroláveis que hostilizavam permanentemente e de forma gratuita as tropas portuguesas; as mesmas que os ajudavam, diga-se!
Agostinho Neto tinha trabalhado para que isto assim fosse! Teve até o descaramento de dizer que a independência, conquista-se! Uma desfaçatez à coisa dada, no meio de tanta ajuda pela NT – Nossas Tropas! Uma ridícula afronta aos próprios «amigos». Depois de tanta ajuda! Por aqui se podia induzir o calibre moral de tal líder do fabricado movimento do MPLA de Agostinho – o cachaceiro.
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Nota: Com alguns enxertos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências aleatórias de T´Chingange - o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange