- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista
- Crónica 3751 – 16.07.2026 – “Missão Xirikwata”

Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direção do mesmo movimento que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola; isto para que assim, Lisboa evacuasse essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles. Era só um jogo de palavras para fazer atuar o CR do MFA de Lisboa…
Agostinho Neto respondeu enfadado ao Alto-Comissário que para o preto, o branco era sinônimo de colonialista. Neto já se sentia com força para retorquir sem evasivas, prepotentemente sarcástico fustigava a pouca astucia duns e a burrice de muitos dos governantes portugueses. Almendra, o Comandante do COPLAD – Comando Operacional de Luanda, confirmava que alguns polícias brancos tinham sido presos em suas casas e levados pelo MPLA para a “tourada”, lugar prisão sob sua gestão.
No M´Puto os partidos à direita do PS encaram o futuro com alguma contenção. Por aqueles dias, chegava a vez dos social-democratas assistirem ao boicote de um comício do PPD em Almada. Depois dos oradores discursarem há muita gente a impedir a saída dos social-democratas do recinto. O COPCOM é chamado a pôr ordem na confusão. Reina agora na nação uma incessante excitação. Mas isto, era lá a mais de 8000 quilómetros da Luua.
Por Silva Cardoso se insurgir em comunicados contra os desmandos e incentivos de rebelião por parte do MPLA, Lopo do Nascimento em maio, exige a expulsão imediata do Alto-Comissário em carta dirigida ao Concelho da Revolução. No final deste mês de maio já havia cerca de 25.000 desalojados em Luanda e 50.000 pedidos de passagem para Portugal. “Vai para a tua terra, branco” era o slogan mais metralhado por palavras acintosamente venenosas ensinadas no poder popular dos comités de bairro do MPLA.

Agostinho Neto era mesmo um cínico da pior espécie. Para Silva Cardoso, deveria alertar-se as instâncias internacionais dando prioridade à evacuação de centenas de milhares de portugueses cuja vontade era abandonar o território: isto já o era irreversível! Afirmou… Entretanto, Rosa Coutinho dando novas diretivas às FAP reforça suas instruções antigas para que a todo o custo defendessem Luanda da investida da FNLA, mesmo que para tal significasse para o mundo ficar abertamente ao lado do MPLA; obviamente fazia-se a todo o momento, o trabalho do MPLA.
Recorde-se que isto sucede depois do encontro em Lisboa entre o 1º Ministro Vasco Gonçalves, Rosa Coutinho, Otelo Saraiva de Carvalho e Henrique Santos (Onambwa) que resultou na destituição do General Silva Cardoso com passagem à reserva militar. Mais uma vez Agostinho Neto levava a sua melhor; retirar o General Silva Cardoso que não dizia “âmen” a tudo o que este queria.
Entretanto o afastamento do General foi contestado pela FNLA e UNITA referindo ambos os partidos terem estas atitudes aspetos obscuros e, queixando-se de não terem sido consultados para o efeito. Esta reclamação já pouco contou para o efeito. Estes desacordos já poucos pesos tinham na conduta dos acontecimentos. Pois! Na Metrópole - M ´Puto, o IV Governo Provisório chefiado por Vasco Gonçalves, cuja tomada de posse se deu a 26 de março de 1975, cai a 8 de Agosto de 1975, altura do Verão quente dando lugar a ele mesmo com o V Governo Provisório de Portugal, cuja tomada de posse se deu a 8 de agosto de 1975, que viria a cair a 19 de Setembro de 1975 por pressão americana.

Alguém que fugiu para o Brasil descrevia o panorama da seguinte forma: “O que considero ser a pior ferida nacional … foi a chegada de todos os que vinham das “ex-colónias”. Eles foram aqueles que acreditaram, lutaram por uma vida melhor para os seus … construíram e deram muito da alma portuguesa em África. Agora voltavam, muitos deles sem sequer conhecerem ou terem alguns elos com Portugal para refazer as suas vidas … Já a palavra “retornados” era um disfarce de uma palavra … palavra envergonhada, escondida sob uma capa de regresso que era totalmente falsa, pois muitos dos que voltavam eram netos de quem partira daqui há longos anos, não conheciam e mal amavam Portugal, tinham uma alma africana, uma alma mais livre, mais quente e muito mais longínqua.”
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Nota: Só com alusão ao livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS descrevendo-se vivências aleatórias de T´Chingange - o Soba
(Continua...)
O Soba T´Chingange