Kimbo Lagoa

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXXV ::: ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XXIII

O tempo ruge...

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXXV

ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XXIII

- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista 

- Crónica 3747 - 07.07.2026 “Missão Xirikwata”

Lá, margem do Kavango River, entre aqueles convivas, antigos refugiados que por ali andaram, é dito: - Fomos abandonados! Foi mesmo isso! Fomos abandonados pelo nosso governo, nossos irmãos. Ficamos sem rei nem roque, entregues à bicharada. Não tínhamos ninguém que nos acudisse! Vim com a roupa que tinha no corpo, tal como a minha mulher e de tantos outros, como é sabido.

Um grande problema para nós, foi o sistema de «apartheid» que não aceitava casais a duas cores – nesse tempo, relações transracionais não o eram aceites; muitos houve que voltaram para trás jogando a vida como uma sorte de loteria.   Escrevemos hoje folhas de papel em sofrimento e agonias antigas, pois está a ser para nós tão difícil entender Deus, assim como o foi para Ulisses no clássico da Odisseia encontrar o velo de ouro e vencer o Minotauro. 

Passámos pelos dias causticantes de verão, e pelas noites longas e frias próprias de um deserto, rigores onde a madrugada, logo ao primeiro sol, queimava a pele como brasas. Vivemos intensa e febrilmente as nossas emoções, e claudicámos perante as desilusões, mas sobretudo perante as injustiças dos homens aplicadas sobre o olhar impávido e desatento desse Deus que temos como justo, omnisciente, omnipresente e omnipotente.

Ainda neste ambiente de recordar acontecimentos, veio à baila os tempos de tensão da Vila Alice de Luanda a 27 de julho de 1975, quando as NT (tropas do M´Puto) apresaram a barcaça “5 de fevereiro” (que antes era das NT) com cerca de 300 toneladas de armamento, munições e outro material de guerra dirigido ao MPLA. Isto foi um entre centenas de casos que se dissolveram a propósito, entre a ajuda descarada dos nossos ilustres dirigentes do CR ao MPLA de Neto. 

Naquela guerra de “tundamunjila”, o propósito era mandar os brancos embora; uma descarada e macabra ação.  Lúcio Lara e Agostinho Neto, a 28 de julho, no funeral das vítimas da Vila Alice acusaram as FAP (Forças Armadas Portuguesas) de terem traído o MPLA afirmando que estes, já não estavam a fazer nada em Angola.

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Para Agostinho Neto, a presença das FAP em Angola era, “senão necessária, prescindível!”. Depois de tantos favorecimentos por parte das FAP, ainda os estariam a transformar em bodes expiatórios; nunca um lobo procederia assim! É alguém do grupo que o diz à margem do Okavango River.

É suposto pensar de como o «Acordo de Alvor» estava totalmente comprometido, deveria ser denunciado por Portugal e assim, poderia sim alterar obscuridades nos planos traçados. Com esta atitude, só calculada, o MPLA arrepiou caminho mudando de atitude; na vertente comunista, não lhe seria favorável a entrada da ONU nem da OUA. O diretório do MPLA teria de se sujeitar e conter suas gentes do poder popular! 

Depois de Nakuru e das batalhas de Luanda, a margem de manobra de Portugal ficou substancialmente reduzida. Em Kampala a missão portuguesa teria de deixar Angola à sua sorte, manobrando os atos até o 11 de novembro, o dia agendado para a entrega, sem se saber a quem - aos lobos! Tudo isto corria na feição exata dos mandatários do CR e seu timoneiro Rosa Coutinho, o Almirante Vermelho, o maior pirata à face da terra hodierna.

O ataque da Vila Alice ao MPLA foi das poucas atitudes tomadas, dignas de enaltecer o brio tão ofuscado dos militares Lusos. As NF foram na generalidade duma tão perversa atuação que o melhor seria originarem um hiato na história militar. Com a saída de Silva Cardoso, o Almirante Vermelho entra de novo em ação deslocando-se a Luanda.

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Nota: Com pequenos excertos do livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS e vivências aleatórias de T´Chingange - o Soba

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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