Kimbo Lagoa

BOOKTIQUE DO LIVRO . LXXXVIII ::: ANGOLA - VIDAS QUEBRADAS - XXVI

O tempo RUGE!...

- Um livro de leitura obrigatória de António Mateus - Jornalista 

- Crónica 3750 - 13-07-2026 “Missão Xirikwata”

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No correr do tempo e, sempre entre 1975 e o dia de hoje, no ano de 2026, ao longo do Okavango River, entre Katwitwi e o Divundo, refrescando-me com Windhoek Lager ou Castle, junto de amigos, pude apreciar tudo ao redor, o gerador, a bomba de água sugando a água para o banho ou enchendo a caixa de água no topo da torra em pau kibaba, ou dos muitos banhos feitos a balde e caneco. Uma mesa feita de tábuas grossas de madeira undianuno; aqui e além, outros troncos roídos do salalé, e louça a segar na mesa feita de chinguiços. 

Bem no alto e junto à entrada um ex-guerrilheiro tomando conta do espaço, dia e noite com uma kalashnikov – na casa portaria, feita em pau-a-pique e adobe. Restos de motores no vasto quintal com bielas de camionetas scania, chevroletes e bedfores e muitas tralhas amontoadas, criando capim ao redor. Um calor do caraças. Pois assim podia ver tudo ao redor acomodado em um alpendre de chão em cimento afagado a vermelho e lavado a creolina para afugentar cobras. As cigarras zumbindo asas ao redor do húmido calor e, do outro lado do rio, uma Angola desgovernada até, durante e após a morte de Jonas Savimbi a 22 de fevereiro de 2002. 

Comendo ginguba a tremoços importados do M´puto, podia sentir levemente o odor do peixe seco que estava ensacado bem no alpendre do negócio beira-rio e junto a muitos sacos de farinha de mandioca. Também outros sacos de farinha trigo e milho entre outros cereais como o feijão ou o arroz… E, num repentemente a angústia do passado exorcizando fantasmagóricas com pés chafurdados de farinha funje, as imagens da guerra do «tundamunjila».

Pois então! Relembrando a “Grande Marcha de Savimbi” num momento de grande fome no grupo, obrigando-os a comer cogumelos defuntadores. Pois assim foi, segundo transcrições de Fred Bridgland: «… muitos conseguiram  manter-se de pé e dizer que continuariam a combater  mas, alguns instantes mais tarde, caíram por terra».  Apesar de tudo isto, o grupo de Savimbi foi ficando mais fraco, por falta de alimentação. Refiro estes detalhes por via de também o ser, um êxodo interno.

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Os guerrilheiros, estavam deitados no chão e, ao sexto dia, a maioria, era incapaz de se arrastar pelos seus próprios meios; porém, nesse mesmo dia, uma patrulha chegou com notícias animadoras. Tinham descoberto uma aldeia a quinze quilómetros de distância, e os seus habitantes eram de há muito, apoiantes da UNITA. A notícia sobre a existência da aldeia atuou como uma injeção vivificante. Os soldados estavam ansiosos por estabelecerem de novo, contatos com a população comum.

Embora tivessem encontrado em si mesmos, forças desconhecidas, a jornada de quinze quilómetros, que teria demorado apenas duas horas em situação normal, levou doze horas. Os camponeses vieram ao encontro de Savimbi e ajudaram a levar a coluna para suas cubatas. Afirmavam ter sido visitados por comandantes de guerrilha da UNITA, que os tinham informado que Savimbi estava a ser perseguido pelos cubanos e pelo MPLA. O chefe da aldeia desenhou diagramas com um chinguiço no pó do chão para mostrar a Savimbi como enviar patrulhas, em direções diversas, para ajudar a desencontrar a coluna governamental.

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Os camponeses não tinham grande quantidade de alimento armazenados, mas forneceram milho, mandioca e carne de antílope. Savimbi, valendo-se de seus conhecimentos de medicina adquiridos em Portugal, reuniu os oficiais e, explicou-lhes os perigos que corriam ao comer alimentos sólidos, depois de tão grande período de fome… Em seguida Savimbi ordenou aos seus oficiais que repetissem o conselho à população, pelo qual eram responsáveis, utilizando os mesmos pretextos de subsistência.

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Nota: Com alusão ao livro ANGOLA, VIDAS QUEBRADAS descrevendo vivências aleatórias de T´Chingange - o Soba

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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