Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – L

O TEMPO RUGE ... A OSGA COSPE

- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 25

- Crónica 3779 - 27.10.2026

coqueiros3.jpg Em Luanda, anos de 1974 e 1975, a apropriação de veículos e instalações pertencentes ao Estado ficou abusiva; já havia dificuldade em distinguir se aquele organismo antes estatal o era efetivamente, ou não. Em Malange quase toda a população civil se refugiara no quartel das NT - Nossas Tropas e, em N´Dalatando verificou-se o total abandono de todas as lojas e residências que foram alvo de pilhagem pela população africana apoiada por elementos das FAPLA, forças armadas do MPLA.

Municípios, foram ocupados formando comissões administrativas desastrosas, Liceus a serem ocupados por jovens guedelhudos brancos e negros de carapinhas ornadas com tranças, copiando Ângela Davis que personificava o movimento “black power”. Gente, que o eram publicamente notórias como Deodoro Troufa Real, o arquiteto das rotundas (ainda vivo), nascido em Luanda no ano de 1941. Assumindo com outros funcionários posições Ad Hoc na Câmara Municipal de Luanda, tomam foros de revolucionários proporcionando uma nova direção de gestão no município.

Genericamente, via-se por toda a Luanda em organismos oficiais, muitas outras técnicas supostamente de marketing revolucionário desviante. Notoriamente procedimentos de marginalidade de gente que até aí o eram impolutas; por regra, incitavam à violência quebrando a tradicional ordem. A rádio recentemente tomada, anuía às iniciativas incitando desobediência, sem que houvesse alguém ou instituição própria para fazer respeitar a “lei”, a “ordem” - uma bandalheira total, própria de um abandono da governação – um Deus-dará!

araujo99.jpg CARAS de Costa Araújo

A euforia transformou-se em crescendo de preocupação, com discursos agressivos dos auto-proclamados eleitos “pais da independência” provocando luto ditado pelo crepitar de armas surgidas do nada; começava assim a batalha pelo controlo de Luanda. Silva Cardoso o Alto-Comissário, logo após o Acordo de Alvor, era constantemente atacado pelo MPLA em comunicados via rádio e panfletos por aquele, não o ser, suficientemente revolucionário.

Com descaramento e foleiras atitudes, os afetos mandatários do MPLA, afirmavam que Cardoso, já não servia à revolução angolana. Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direção do mesmo movimento, que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola – Talqualmente!

E, tudo isto para que assim, em Lisboa, evacuassem essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles - MPLA. Era só um jogo de palavras para fazer atuar o CR do MFA de Lisboa… Costa Gomes, o presidente do M´Puto que veio a seguir a Spínola, conhecido popularmente por “o rolha”, aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem pau-mandado que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo.

ango4.jpg Agostinho Neto, escudado pelo apoio militar de Brejnev, do marechal Tito e de Fidel de castro, já não necessitava de ser afável com grande parte dos militares portugueses; alguns, poucos, deram-se conta, mas, já era tarde para fazer marcha-à-ré. O MPLA iria liquidar os outros dois Movimentos fazendo tábua rasa da presença portuguesa e dos acordos que tinha estabelecido com todos. Neto era um salafrário e já era demasiado tarde para recuar o processo. Entretanto, na confusão de Angola e pelas suas estradas os angolanos fugiam levando apenas malas com roupa, fugindo das fazendas para as cidades.

:::::

Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

0