Kimbo Lagoa

VIDAS QUEBRADAS – XLVIII

O TEMPO RUGE ... A OSGA, ROSNA

- “Missão Xirikwata” - ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - 23

- Crónica 3777 - 23.10.2026

Dy4.jpg  Continuando na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto” … Afinal, não o era e, continuo “branco”. Com Marx Lenine e Mao, iam surgindo no M´puto os «desaparecidos» Zeca Afonso e Ary dos Santos em espetáculos organizados pela Casa da Imprensa e, com as direções das gentes ditas vanguardistas afetas ao Partido Comunista do Álvaro Cunhal. 

Em Angola numa ida de Zeca Afonso a Nova Lisboa, atual Huambo, a multidão era tanta para ver o Zeca que eu, fui literalmente rodado no ar para poder entrar no polidesportivo descoberto. Nesta altura eu, que fui convidado porque pertencia ao Comité da Caála da UNITA com o cargo de Secretário de Relações Públicas, fui e, lá fui em minhas tarefas…

Só como esclarecimento afirmo aqui que nesse então já o era membro ativo da UNITA no terceiro trimestre do ano de 1974, no qual exercia em plenitude minhas funções de Secretário, tendo como presidente de Comité o Sr. Camundongo (de nome, sendo nesse então Ex Chefe de brigada da Junta Autónoma de Estradas de Angola) e, tendo na chefia militar o Comandante Kalakata (um ex-furriel do exército português em Angola, formado na EAMA)

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Muitos anos mais tarde, com botas de Michelin ponta de ferro, calções de ganga, camisola de flanela e chapéu quico com os big-five, curto o calor do dia enquanto o sol se põe a pique com uns agradáveis vinte e dois graus no zénite no lugar de “Faixa de Caprivi” na longa área do Okavango River – Cumpria voluntariamente minha “Missão Xirikwata” com o conhecimento de José Pedro Catchiungo que nesse então representava a UNITA em Portugal. 

Ao cair da noite escura como breu, os chacais quase comiam à mão, saltando à volta de um petromax para apanhar gordos besouros – borboletas gordas esvoaçando; e, era-o assim, não muito longe, pois que até podia ver seus olhos amarelos quando lhes dirigia o foco do farolim.  Estando eu na varanda da cubata de pau-a-pique e taipa; quando as abertas no ar permitiam, via  o céu imenso a ficar todo a descoberto e nesse lapso, contemplava na perfeição as estrelas do cruzeiro do Sul.

No M´Puto os «ratos» saiam das tocas! As divergências na CCPA - Comissão Coordenadora do Programa em Angola, atingiram seu clímax! A linha progressista partia nozes com o nariz! Entretanto, Otelo Saraiva de Carvalho chegava ao seu gabinete COPCOM com a garantida ajuda de Havana ao MPLA. Este militar, visto como o novo Ché Guevara, tinha-se encontrado em Cuba desde o dia 21 de julho para assistir no dia 26 à celebração do ataque ao quartel de Moncada (um pretexto).

arau5.jpg Aquelas e todas as notícias saídas na imprensa do M´Puto estavam impregnadas de fantasiosas mentiras, um logro coletivo de governo e povo embebidos naquilo que se fazia constar para não se depararem em embaraços diplomáticos nas relações internacionais. Nós ultramarinos, estávamos a ser negociados ao desbarato e entregando de qualquer jeito aquela dita “Província Tuga”.  Mas, e, afinal como é que Costa Gomes, o Presidente de todos os portugueses alinhava nisto!? Lá iremos…

No M´Puto o ordenado mínimo nacional era de 3.300 escudos. Apesar disso os cinemas enchiam-se para ver dois filmes até então censurados: “Bob e Carol” e “A grande farra” Nestes dias, em Angola era a aflição, fazendo caixas e caixotes a prever a debandada pelo “forçado abandono”. Vejam bem esta grande preocupação de nossos “manos metropolitanos” que no M´Puto viam filmes incentivadores de” Swing” - uma suposta terapia de grupo de todos na cama curtindo o sexo em conjunto – um novo tipo de relacionamento com os quatro, fazendo uma orgia para combater a velha moral. Uma coisa de levar as mãos à cabeça num “balha-me Deus” …

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Nota1: Vivências aleatórias no tempo, por T´Chingange - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha. Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange

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