– “Missão Xirikwata”
- Crónica 3752 – 19.07.2026
Triste inocência que culminou em nunca, até os dias de hoje, julho de 2026, alguém de relevo governamental, ter pedido desculpas (antes pelo contrário) a todos os que sofreram as agruras de uma desastrosa descolonização, sem nunca haver ressarcimento dos haveres roubados na Angola, que ainda o era – portuguesa! Nem parte de Portugal, nem por parte de Angola.
Deste modo termina aqui a referência ao livro de António Mateus, continuando a saga de “Missão Xirikwata” nesse tema de “Vidas Quebradas” e, na visão do soba T´Chingange, relator destas «Viagens no Tempo» … Também, e por isso, as fronteiras mentais transportadas por mim em estórias, embora aumentando em capacidade de criar ilusões, diminuindo a veracidade do que foi a guerra de tundamunjila em Angola (que vem do quimbundo: do espantar - do vai-te embora!).
E, será de bom senso até, aos velhos, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque, dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças vivenciadas, pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas feridas mortais. Daí abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossuários feitos pó. Dói ser traído por nossos irmãos…
E, infelizmente, até sabíamos estar tramados até os tornozelos, mas, só agora podemos ir dum extremo à direita ao outro da esquerda; agora há falas bonitas p´ra boi dormir, muitos roubos e, com corruptos à solta! Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos, apagando os rastos dos passos que aqui nos trouxeram à terra de M´Puto, de novo volto a abrir o postigo da memória antropológica sem alvoroçar os espíritos que omitiram as leis não cumpridas.
Cada um de nós foi o que foi por uma coisa que dizem ter sido pequena, assim como dum primeiro choro! Mas outros choros que se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, não nos permitiram escolher o dedo ou arado, nem por onde fazer os regos que por coisa pouca, assim dizem … mudou nossas vidas.
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Ilustrações de Costa Araújo
Nota: Vivências de T´Chingange, aleatórias no tempo…
(Continua...)
O Soba T´Chingange